terça-feira, 23 de setembro de 2014

Alterações de fala e linguagem pós AVC



As incapacidades decorrentes do AVC afetam a vida do paciente e de seus familiares mais próximos. Entre elas está a Afasia, um distúrbio de linguagem decorrente de uma disfunção cerebral que afeta circuitos neuronais relacionados à produção/expressão e compreensão da fala.

A causa mais comum para este distúrbio são os AVEs (Acidente Vascular Encefálico) do tipo isquêmico, mas pode ocorrer também em outros tipos de lesão como no traumatismo cranioencefálico.

O funcionamento da linguagem envolve várias estruturas cerebrais. A presença de uma lesão em áreas específicas do cérebro irá afetar o funcionamento destes circuitos, gerando um distúrbio de linguagem em diferentes graus e formas.

O tratamento fonoaudiológico irá auxiliar o paciente a superar suas dificuldades de linguagem, através de atividades de reabilitação baseadas no conceito da neuroplasticidade, que é a capacidade do sistema nervoso se modificar através de estímulos externos e necessidades adaptativas.



O processo de reabilitação deve ser iniciado logo após a alta hospitalar aproveitando o período de maior plasticidade neuronal. Conforme o paciente realiza as atividades de linguagem os circuitos vão se reorganizando e tendem a recuperar parte da função comprometida.

Tais atividades são desenvolvidas respeitando a idade, os interesses e as vivências anteriores do paciente, seu nível intelectual e cognitivo, suas capacidades e limitações, buscando contribuir efetivamente para uma melhor qualidade de vida, autonomia e inserção social.

A evolução é um processo lento que envolve a ajuda individual, familiar e social. Muitas pessoas continuam sua evolução por anos e alguns danos podem ser irreversíveis. Entretanto, quanto mais cedo for realizada a avaliação e o inicio da intervenção melhores resultados alcançados.

Algumas orientações à família da pessoa com Afasia
  • Deixar que o paciente fale ou se expresse da maneira como for possível, não o interrompa, seja paciente, tenha calma e compreensão esforçando-se para compreender o que ele deseja dizer e se preciso ajudando-o, mas sem “falar por ele” o tempo todo;
  • Ao se comunicar com o paciente, falar de forma clara, pausada, falando uma pessoa de cada vez;
  • Evite comentar com outras pessoas sobre as dificuldades de comunicação do paciente na sua presença, isso pode desmotivá-lo;
  • Converse com o paciente sobre aspectos do dia a dia, como por exemplo, o que será feito no dia, quais atendimentos serão realizados, em que horários, sobre o que deseja comer, se o que esta comendo está bom, sobre programas que estejam assistindo, sobre fatos vividos, como viagens, aniversários, datas marcantes...
  • Evite chamar a atenção para as dificuldades que apresenta (Não consegue isso? Não se lembra? Ah! Mas ele não se lembra nem disso...)
  • Busque valorizar suas conquistas ainda que pequenas (Você está conseguindo ler e escrever... já está se lembrando disso...);
  • Encoraje o paciente a participar das atividades familiares para que não se sinta isolado do grupo;






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