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sexta-feira, 15 de maio de 2015

Como identificar alunos com atraso na fala



Durante a aquisição da linguagem a criança passa pelo que chamamos de processos fonológicos, em geral caracterizados pela simplificação da fala do adulto como as trocas de sons e as omissões.
Estes processos vão sendo superados à medida que a criança adquire maior domínio linguístico, mas quando são incompatíveis com a sua idade e dependendo do tipo de "troca" que ela realiza é necessário uma avaliação fonoaudiológica para identificar as causas desse desvio.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Aquisição e desenvolvimento da Linguagem

Por Dirlene Moreira (CRFª 7861/MG)*

      O desenvolvimento da Linguagem é um importante indicador do desenvolvimento global da criança. Mesmo antes de a criança dizer as primeiras palavras é possível perceber como anda este processo. 

A imitação dos sons emitidos pelos adultos, a responder com balbucios, palavras ou gestos, à fala do adulto, a atenção ao que é dito a ele e aos outros à sua volta, respostas motoras e/ou faciais às solicitações do adulto são alguns indícios deste processo. A partir destas experimentações a criança vai aos poucos aumentando seu domínio sobre as estruturas da lingua envolvidas nesta atividade e assim a linguagem vai sendo adquirida.

O adulto possui um importante papel na aquisição da linguagem pela criança, pois é ele que irá mediar a relação dela com as informações que recebe do meio, é ele que dá significado a estas informações, às suas emissões vocais, choros e outros comportamentos, tratando-o como interlocutor, permitindo assim que a criança possa aprender/apreender com ele aquilo que em breve fará sozinha. 


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Chupeta: Vilã ou mocinha?



O uso da chupeta é um tema polêmico! 

Diversos estudos falam sobre  a interferência deste objeto no desenvolvimento da arcada dentária, no modo respiratório e na fala da criança. Outros autores defendem o uso da chupeta por ser um objeto capaz de acalmar o bebê. O que fazer então diante disso?

Primeiramente é preciso ter bom senso! A chupeta pode sim ser usada desde que seu tamanho esteja adequado à idade da criança e o seu formato tenha o menor impacto sobre a dentição (prefira as ortodônticas). 

Não deve ser usado por um longo período durante o dia, mas sim para acalmar a criança e permitir que ela se “organize” emocionalmente através da sensação de prazer gerada pelo ato de sugar,principalmente na ausência da mãe.

O uso da chupeta deve ser retirado aos poucos à medida que a criança cresce, se desenvolve e econtra outras formas de se satisfazer. 

O Bebê tem uma necessidade fisiológica de sucção (seja no peito, chupeta, dedo ou mamadeira) essa necessidade diminui à medida que ele cresce e se desenvolve por isso a oferta da chupeta deve ser também reduzida.


E você o que tem a dizer sobre isso? Deixe aqui a sua opinião!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A voz que ensina

O professor utiliza a sua voz para ensinar, controlar os alunos, mostrar atenção e carinho. Seu principal instrumento de trabalho é a voz. Suas posturas e atitudes, sua qualidade vocal e expressão não verbal podem interferir de maneira positiva ou negativa no interesse e participação dos alunos durante as aulas. 

Devido à grande demanda vocal, à carga horária intensa, às turmas numerosas e condições de trabalho desfavoráveis, aliados à falta de conhecimento técnico sobre o uso da voz, os problemas vocais em professores são muito frequentes e exigem um auxílio especializado. 

Na maioria das vezes, o desgaste vocal acontece lentamente e de maneira gradual e muitos sintomas iniciais podem não produzir modificações perceptíveis. As queixas vocais mais comuns entre estes profissionais são rouquidão, dor e ardor na garganta, cansaço, sensação de sequidão e corpo estranho na região do trato vocal, além de falhas na voz.

Alguns fatores como estresse, quadros alérgicos, condições de trabalho inadequadas, gripes e resfriados, fumo, álcool, hábito de falar muito alto e por tempo prolongado, tem um impacto extremamente negativo sobre a voz. 

As alterações vocais em professores estão, na maioria das vezes, relacionadas ao funcionamento vocal, sendo assim necessário que estes profissionais recebam informações e orientações quanto ao uso da voz e alguns conhecimentos básicos sobre como se dá o seu funcionamento e cuidados necessários para manter uma voz saudável prevenindo possíveis alterações. 

Devido à falta de informações a respeito da voz, muitos professores só tomam consciência da importância desta como instrumento de trabalho e na sua vida pessoal quando começam os primeiros sintomas como sinais de fadiga, falhas na emissão, ou até mesmo depois de já ter uma patologia vocal instalada, como é o caso dos nódulos vocais, popularmente conhecidos como calos vocais, que podem ser prevenidos desde que tomados os devidos cuidados.

Alguns hábitos diários podem favorecer a saúde vocal como ter uma alimentação saudável e equilibrada, evitando alimentos muito gordurosos ou condimentados e alimentos e bebidas muito quentes ou muito geladas, manter sempre uma garrafinha de água ao alcance das mãos, praticar atividades físicas regulares, alongar a musculatura do pescoço, tronco e ombros, agasalhar-se adequadamente em dias frios, protegendo-se de correntes de ar contínuas, evitar falar por longos períodos e em alta intensidade, principalmente em ambientes muito secos, expostos ao ar condicionado, evitar o uso de cigarro e bebidas alcóolicas, não utilizar medicamentos sem orientação médica, evitar soluções caseiras como mascar gengibre, evitar chocolates, leite e seus derivados antes das aulas, pois estes alimentos aumentam as secreções no trato vocal, provoncando pigarros e comprometendo a qualidade vocal.

Deve-se também evitar tossir, pigarrear ou raspar a garganta, que geram um atrito muito grande entre as pregas vocais podendo machucá-las. A maçã é uma importante aliada na limpeza do trato vocal, assim comer uma maçã durante ou após as refeições contribui também para uma voz mais saudável; incluir atividades que envolvam a participação dos alunos, seja na leitura oral de um texto, atividades em grupo e ainda recursos visuais durante as aulas também podem ser boas estratégias para poupar a voz do professor.

É fundamental que o professor procure manter uma postura ereta, falar sempre de frente para a classe e não direcionado para o quadro, seus gestos devem agir como complemento à sua fala e não devem ser exagerados demais.

Articular bem as palavras, ter uma boa entonação e projeção vocal, locomover-se pela sala de aula e/ou posicionar-se mais ao centro da sala permite que os alunos ouçam melhor o que é dito pelo professor evitando assim que ele necessite falar em alta intensidade, além de auxiliar o professor a prender a atenção do aluno e consequentemente cansar menos a sua voz.

Ao adotar estas estratégias o professor torna sua aula mais dinâmica, favorece a atenção e interesse dos alunos e consequentemente torna-a menos cansativa para o aluno e para o professor.

É importante o professor observar quais mudanças podem ser aplicadas ao seu dia a dia e se necessário, procurar um otorrinolaringologista e um fonoaudiólogo que são os profissionais capacitados para esclarecer suas dúvidas e ajudá-lo a encontrar soluções para as situações problema relacionadas à sua voz, lembrando que a prevenção é sempre a melhor opção.





Artigo publicado no jornal Folha de Contagem por Dirlene Moreira
http://www.folhadecontagem.com.br/portal/index.php/edicoes-da-semana-2011/270-edicao-668-14-a-20102011/4727-artigo-edicao-668-14-a-20102011-a-voz-que-ensina.html

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Dicas para melhorar sua comunicação

  • Observe a comunicação das pessoas que convivem com você e de profissionais da comunicação (palestrantes, atores, jornalistas, apresentadores), perceba seus pontos fracos e também aquilo que você considera positivo e gostaria de fazer
  • Observe também a sua comunicação, o que você gostaria de modificar e o que gostaria de manter como está.
  • Aproveite as conversas informais e bate papo com os amigos para exercitar a sua comunicação, dê a sua opinião, conte sobre algo que aconteceu com você, sempre utilizando um tom de voz e intensidade de fala adequados ao ambiente e contexto
  • Exercite sua comunicação na sala de aula, faça perguntas ao professor utilizando um tom de voz adequado, controle a intensidade de fala para que todos ouçam a sua dúvida ou questionamento, articule bem as palavras para melhorar a clareza da sua fala, fale olhando para o professor ou pessoa a quem se dirig
  • Respire fundo sempre que for falar sobre algo, fazer questionamentos, lembre-se que uma boa respiração permite uma voz mais segura e com melhor intensidade além de aliviar a tensão e ansiedade.
  • Crie o hábito de ler algum texto em voz alta prestando atenção em características como tom de voz, intensidade e velocidade de fala, modulação, ênfase e articulação das palavras
  • Grave sua voz ao ler um texto ou em uma conversa do dia a dia e analise-se depois, veja como esta a intensidade de as fala, sua respiração, velocidade, articulação...

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Saúde Vocal


No mês de abril é realizada a campanha Amigos da Voz, por isso aqui vão algumas dicas de saúde vocal.

• Para começar bem o dia alongue-se, espreguice, boceje, isso fará bem ao seu corpo e à sua voz;
• Durante o banho, deixe cair bastante água quente na região posterior do pescoço, respire lentamente e procure relaxar;
• Massageie a região posterior do pescoço e dos ombros sempre que puder – ao acordar, no banho, antes de deitar;
• Procure uma postura confortável, mantendo o tronco ereto e evitando posturas de cabeça inadequadas, isso é fundamental para que a voz saia com naturalidade, sem esforços ou tensões; evite posturas que gerem tensão na região dos ombros e pescoço...
• Evite dormir com tensões na região do pescoço, use um travesseiro não muito alto e nem muito baixo;
• Reserve alguns minutos do seu dia para fazer um relaxamento, assim terá uma maior regeneração muscular durante o descanso contribuindo para um sono mais eficaz, menor irritabilidade, insegurança, agressividade e consequentemente uma voz mais saudável;
• Mantenha sempre uma garrafa de água ao alcance de suas mãos, hidrate-se constantemente;
• A maçã pode ser uma importante aliada, ela auxilia na limpeza do trato vocal reduzindo as secreções;
• Cuidado com os pigarros pois ao invés de auxiliar na emissão este hábito pode lesar a prega vocal;
• Ao contrário do que muitas pessoas acreditam as pastilhas, sprays, gengibre e bebida alcoólica não melhoram o desempenho vocal, eles apenas anestesiam o trato vocal e mascaram a sensação de dor, irritabilidade, podendo levar a alterações por abuso vocal;
• Evite gritar e falar por tempo prolongado, principalmente se estiver em um ambiente ruidoso;
• Chocolate, leite e seus derivados aumentam a secreção no trato vocal prejudicando a clareza da voz; evite também alimentos muito condimentados (muito salgados, apimentados...) e frituras;


• Café, cigarro e bebidas gasosas irritam a laringe;

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Você já ouviu falar em reabilitação vestibular?


O sintoma mais comum da labirintite é a tontura. Este sintoma tem um impacto muito grande na qualidade de vida dos indivíduos que sofrem de labirintite. Medo de sair sozinho, sensação de instabilidade, insegurança são algumas das sensações relatadas pelos pacientes. Este é um distúrbio muito comum em pessoas idosas, mas pode acometer também pessoas mais jovens. Atualmente existe no mercado farmacológico uma série de medicamentos indicados para o tratamento da labirintite, porém o uso destes medicamentos não deve ser prolongado. O tratamento para a labirintite dependerá das causas que levam a ela, assim, distúrbios hormonais, diabetes e problemas vasculares devem ser controlados previamente. Há alguns casos que só se resolvem com intervenção cirúrgica, mas no geral, a reabilitação vestibular é o tratamento eleito.
Composta por exercícios orientados pelo fonoaudiólogo e que variam de acordo com a desordem apresentada estes exercícios tendem a ficar mais complexos à medida que o paciente se recupera. O objetivo é restaurar o equilíbrio, contribuindo assim para a melhoria na qualidade de vida dos pacientes. O tempo médio de tratamento é de dois a três meses. 


Fonte de pesquisa: http://cafopuccamp.blogspot.com/2011/02/labirintite-tem-cura.html

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Sugestão de atividades para as férias



Algumas brincadeiras podem ajudar o seu filho no aprendizado da leitura e escrita. Aproveite o período de férias para ajudar o seu filho de uma maneira divertida!
                                                     
Nas férias sempre acontecem coisas diferentes, passeios, viagens, brincadeiras, por isso é uma ótima época para escrever um diário de férias, onde o seu filho poderá desenhar, escrever, colar, tudo para não esquecer esses momentos bons, e que além de ser uma atividade divertida pode ajudar muito o seu filho no aprendizado da leitura e escrita. Essa atividade deve ser feita em parceria, de maneira prazerosa, descontraída e não como uma coisa chata.

Muitas vezes os passeios e atividades de férias vêm acompanhado de muitas fotos, então que tal montar um álbum com legendas sobre as pessoas que estavam nas fotos, sobre o lugar, o evento...

Nem todo mundo viaja nas férias, mas isso não é um problema, podemos “viajar” sem sair de casa ao ler um livro novo, folhear revistas, fazer de conta, então aproveite para compartilhar momentos como este com o seu filho, leia junto dele, espalhe bilhetes pela casa, faça um caça tesouros com os presentes de natal deixando pistas através de bilhetes espalhados pela casa.

Mesmo sem sair da cidade podemos aproveitar as férias para visitar lugares diferentes, a Biblioteca Infanto Juvenil da Biblioteca Luiz Bessa oferece algumas atividades como contação de histórias, exposição de livros, entre outras, essas atividades são gratuitas, maiores informações podem ser obtidas pelo telefone 3269-1223 ( a Biblioteca fica na Praça da Liberdade, nº 21)

Aproveite as férias para fazer uma receita junto do seu filho, peça a ele para verificar a quantidade de alguns ingredientes como ovos, leite, açúcar... mas esta atividade deve ser feita com paciência!


Uma ida ao mercado também pode ajudar muito no aprendizado do seu filho, peça a ele ajuda na hora de fazer a lista, pergunte a ele o que ele gosta que esta precisando comprar, ou peça que verifique se falta algum ítem, se ele não tiver resistência peça a ele para escrever as coisas que ele quer que compre... no mercado peça a ele ajuda para encontrar os produtos, conferir os preços, verificar se encontraram todos os itens da lista...

Faça atividades como Jogo da Forca, Stop (Adedanha), Caça-Palavras, Palavras Cruzadas ou crie brincadeiras com palavras na rua, em casa, no transito, por exemplo coisas na casa que comecem com a letra b, ou lugares que comecem com outra letra.
Todas estas atividades podem ser mantidas ao longo do ano!!!!      

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Aprendizagem da Leitura e Escrita



A aprendizagem da linguagem escrita é algo muito complexo e cada criança passa por isso de maneira singular. Para algumas crianças este processo pode ser mais demorado, mesmo que ela não tenha qualquer distúrbio.Por isso, se o seu filho vem apresentando dificuldades na escola, procure um fonoaudiólogo. Ele poderá orientá-lo, esclarecer suas dúvidas e, se necessário, auxiliar o seu filho a desenvolver um aprendizado com mais qualidade.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Texto Ana Maria Machado

Bom de Ouvido
de Ana Maria Machado

Volta e meia a gente encontra alguém que foi alfabetizado, mas não sabe ler. Quer dizer, até domina a técnica de juntar as sílabas e é capaz de distinguir no vidro dianteiro o itinerário de um ônibus. Mas passa longe de livro, revista, material impresso em geral. Gente que diz que não curte ler.

Esquisito mesmo. Sei lá, nesses casos, sempre acho que é como se a pessoa estivesse dizendo que não curte namorar. Talvez nunca tenha tido a chance de descobrir como é gostoso. Nem nunca tenha parado para pensar que, se teve alguma experiência desastrosa em um namoro (ou em uma leitura), isso não quer dizer que todas vão ser assim. É só trocar de namorado ou namorada. Ou de livro. De repente, pode descobrir delícias que nem imaginava, gostosuras fantásticas, prazeres incríveis. Ninguém devia ser obrigado a namorar quem não quer. Ou ler o que não tem vontade. E todo mundo devia ter a oportunidade de experimentar um bocado nessa área, até descobrir qual é a sua.

Durante 18 anos, eu tive uma livraria infantil. De vez em quando, chegavam uns pais ou avós com a mesma queixa: "O Joãozinho não gosta de ler, o que é que eu faço?" Como eu acho que o ser humano é curioso por natureza e qualquer pessoa alfabetizada fica doida pra saber o segredo que tem dentro de um livro (desde que ninguém esteja tentando lhe impingir essa leitura feito remédio amargo pela goela abaixo), não acredito mesmo nessa história de criança não gostar de ler. Então, o que eu dizia naqueles casos não variava muito.

A primeira coisa era algo como "pára de encher o saco do Joãozinho com essa história de que ele tem que ler". Geralmente, em termos mais delicados: "Por que você não experimenta aliviar a pressão em cima dele, e passar uns seis meses sem dar conselhos de leitura?" O passo seguinte era uma sugestão: "Experimente deixar um livro como este ao alcance do Joãozinho, num lugar onde ele possa ler escondido, sem parecer que está fazendo a sua vontade. No banheiro, por exemplo." E o que eu chamava de um livro como este, já na minha mão estendida em oferta, podia ser um exemplar de O Menino Maluquinho, do Ziraldo, ou do Marcelo, Marmelo, Martelo, da Ruth Rocha, ou de O Gênio do Crime, do João Carlos Marinho. Havia vários outros títulos que também serviam.

Mas o fato é que, em 18 anos de experiência, NUNCA, nem uma única vez, apareceu depois um pai reclamando que aquela sugestão não tinha dado certo. Pelo contrário, incontáveis vezes o encontro seguinte já incluía um Joãozinho entusiasmado, comentando o livro lido e disposto a fazer  novas descobertas. 

Para adolescentes e jovens, a coisa é um pouco mais complicada. Não porque não haja livro bom assim como os que citei. Pelo contrário, tem de montão. Eu seria capaz de encher páginas e páginas só dando sugestões e comentando cada uma delas. A quantidade chega até a atrapalhar a escolha, não é esse o problema. Mas aí já entram em cena muitas outras variáveis. O fôlego de leitura do sujeito, por exemplo. Igualzinho ao que acontece nos esportes. Como quem sabe que não vai agüentar jogar noventa minutos, e então nem bate uma bolinha, dizendo que acha  futebol um jogo idiota. Há quem desanime só de ver o número de paginas do livro, ou o tamanho da
letra, ou o fato de não ter ilustração. Nesse caso, o cara acha que vai ficar de língua de fora e pagar o maior mico. Não percebe que não está competindo com ninguém.

Também não tem ninguém na arquibancada olhando sua performance. Dá para levar o tempo que quiser para chegar ao fim do livro. Ler uma página por dia, por exemplo, se não quiser ir mais depressa. Num livro como este aqui, dá pra fazer isso - as histórias são curtinhas. Para outros candidatos a leitor, não é uma questão de fôlego, mas de medo de não ter musculatura para ler. De só dar chute chocho e a bola não ir longe. 
De não agüentar a força do que está escrito, não entender umas palavras, não perceber o que o autor quer dizer e ficar se achando um burro. Se nunca usar, o músculo pode acabar tão atrofiado que o cara não consegue nem mastigar, fica feito um bebê, só come papinha, sopa e sorvete. Incapaz de traçar um churrasco - para não falar em ir ao supermercado trazer a carne, ou plantar a própria horta. Dá um trabalho... Quando vejo essa atitude, sempre me lembro daquela frase: "Acha que educação custa caro? Experimente só a ignorância..." Mas, de qualquer modo, dá também para ser solidário com quem ainda não teve chance de desenvolver sua musculatura leitora. Tudo bem, vamos devagar. Lendo textos curtos, fáceis, divertidos, variados, numa linguagem clara e parecida com a que a gente fala todo dia (e toda noite, não há limites).

É só folhear este livro. Pode ser que alguma história atraia sua atenção e mostre que, mesmo que uma ou outra palavra lhe escape, ninguém está falando complicado. Outra questão difícil na escolha de uma leitura de jovens e adolescentes, em minha opinião, é que eles já são praticamente adultos. Ainda  ais hoje em dia, e no nosso país. Não têm que ficar lendo histórias de uma turminha de garotos que só se trata por apelidinhos idiotas e inventa uma máquina do tempo ou apura um crime, ou enfrenta o terror  de múmias e mortos-vivos a serviço de um cientista maluco, ou vive aventuras nos Mares do Sul, no Vale dos Dinossauros, na Galáxia Superior ou no Reino do Escambau. É até uma falta de respeito com a inteligência e a capacidade dos jovens. Eles podem rir, brincar, gostar de ter amigos e de se divertir, mas também gostam muito de pensar e de criticar um bocado das heranças malucas que esse chamado mundo dos adultos está deixando para eles. E muitos dos livros que esses adultos (que muitas vezes não lêem) querem que eles leiam ficam batendo nessa tecla da “bobajada divertida”.
Coisas que até tinham algum sentido em gerações anteriores, mas hoje apanham de goleada de qualquer videogame - porque são um tipo de diversão que não precisa de palavras.

E quando os livros que os adultos querem que os jovens leiam não são esses, pior ainda: lá vem aqueles autores do século XIX... e já estamos no XXI! Podem ser ótimos, importantes e tudo o mais - ninguém está negando isso. Mas não são o tipo de leitura ideal para aquele primeiro namoro/leitura cheio de delícias e gostosuras, quando o leitor ainda nem tem vinte anos. E tem mais. Nessa idade, todo mundo gosta de procurar sua tribo. Há quem goste de pagode, quem se amarre em música sertaneja, quem só queira saber de rock. A turma que madruga e batalha para conciliar estudo e trabalho, o pessoal que discute política e faz manifestação, a moçada que não está nem
aí. Se eles não se vestem igual, não freqüentam os mesmos lugares, não se deslocam nos mesmos transportes, não curtem o mesmo tipo de música, não falam a mesma gíria, como é que de repente a gente vai encontrar um livro assim como O Menino Maluquinho para jovens, capaz de atingir a todos, tão diferentes?


* Este texto é um trecho do livro Comédias para se ler na Escola do Luiz Fernando Veríssimo

domingo, 17 de outubro de 2010

Atividades escolares: aproximação ou afastamento da linguagem escrita?



Desde a época da graduação (e talvez mesmo antes desta) sempre me interessei muito pela linguagem escrita e questões relacionadas à aprendizagem. Atualmente tenho estado em contato constante com atividades escolares e muitas delas eu consideraria pouco significativas. Vale lembrar que meu contato maior é com atividades de 1 a 4 série, período que compreende a base do ensino formal. Pois bem, vamos ao que interessa. Observando atividades como interpretação de texto me vêm muitas questões... Primeiramente, podemos observar que neste tipo de atividade o aluno deve escrever exatamente aquilo que o professor quer ver como resposta, as questões que se colocam ao aluno são facilmente encontradas em trechos do texto e o aluno deve identificar onde está a resposta e copiá-la, por vezes têm de copiar trechos enormes para que a resposta seja considerada satisfatória. Antes de qualquer coisa esta atividade é considerada chata pelas crianças, e não só por elas, afinal quem gosta de ficar copiando trechos enormes... além disso essa atividade com grande frequência restringe a criança impedindo que ela relacione o que foi lido no texto com suas experiências e vivencias... muitas vezes faz com que o aluno se prenda ao sentido literal, permitem uma unica interpretação, porém devemos nos lembrar que um mesmo texto pode ter múltiplas interpretações de acordo com aquele que o lê. Ao simplesmente copiar um trecho lido a reflexão da criança sobre sua escrita e sobre o texto lido torna-se por vezes, limitada. A exigência de que a criança copie as palavras exatamente como estão escritas no texto podem impedir que a criança mostre a sua escrita, os processos de construção pelo qual está passando. O erro na escrita é sempre visto como algo ruim quando na verdade é algo que pode permitir ao professor, aos pais e todos aqueles envolvidos no processo de aprendizagem verificar quais as estratégias utilizadas pela criança, quais seriam suas dificuldades, e orientar a prática dentro e fora das salas de aula de acordo com as necessidades reais da criança e sendo então muito mais significativas.  As atividades de leitura e escrita, principalmente nesta fase da vida, devem ser prazerosas, pois sempre fazemos melhor aquilo que gostamos, que nos dá prazer.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Teste da orelhinha agora será obrigatório e gratuito nas maternidades públicas


O Congresso Nacional aprovou a lei que determina a obrigatoriedade da realização do teste da orelhinha ( triagem auditiva neonatal) em recém nascidos nas maternidades publicas de todo o território nacional. O objetivo é realizar o diagnóstico precoce da deficiencia auditiva. Esta é uma grande conquista, pois quanto mais cedo ocorrer a identificação da perda auditiva e a intervenção  melhores serão os resultados alcançados no desenvolvimento da criança. 
O teste da orelhinha é rápido e não dói, é capaz de identificar mesmo as perdas auditivas mais leves, isso é muito importante pois as perdas leves muitas vezes levam mais tempo para serem percebidas pelos pais e pessoas que convivem com a criança, mas que também podem trazer muitas dificuldades relacionadas à fala, linguagem, aprendizagem, etc...

A realização do teste é feita através da introdução de uma pequena oliva na orelha da criança, se o exame acusar algum tipo de alteração a criança deverá repetir o exame dentro de 30 dias, outras avaliações podem ser necessárias posteriormente.
A identificação e intervenção precoce (preferencialmente antes dos 6 meses de idade) contribuem para um bom desenvolvimento e uma boa qualidade de vida.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Sobre o uso da chupeta



A iniciativa desta postagem surgiu em função das inumeras questões levantadas sobre o uso da chupeta na pagina da revista Nova Escola. Pois vamos ao que interessa. O uso da chupeta interfere no fechamento labial, fazendo com que esta musculatura tenha menos força e consequentemente leva à respiração oral. A respiração oral contribui ainda mais para a diminuição da força muscular dos orgãos envolvidos na articulação da fala contribuindo também para alterações na fala, na mastigação e na deglutição. Além disso, a respiração oral altera o crescimento ósseo da face, gera compensações posturais prejudiciais e ainda interfere na qualidade do sono, afetando o rendimento escolar, a capacidade de focar sua atenção, acarretando alterações de comportamento (como agitação ou apatia).
Quanto ao efeito calmante da chupeta, apesar de ser algo polemico, é algo real, mas não é a chupeta em si que acalma, mas o ato de sucção, assim, se a criança permanece por mais tempo no seio materno a necessidade da chupeta será menor, ou ate mesmo nulo. 

Uma leitora de Nova Escola disse que nós fonoaudiologos e dentistas devemos alertar e auxiliar na retirada deste hábito e não apenas colocarmo-nos no papel de criticar, concordo perfeitamente com sua postura, não basta criticar, é preciso apresentar soluções, do contrário seria muito fácil. Apesar disso, não existem receitas prontas, cada criança, cada familia, possuem caracteristicas próprias que devem ser respeitadas e por isso é necessário que os pais procurem um fonoaudiólogo para que este possa lhe ajudar neste processo. 

Acredito na necessidade de pensar sobre os efeitos da chupeta a curto e longo prazo, entretanto não devemos ser extremistas pois não há uma receita pronta que seja válida para todos os casos. O ideal é procurar por um profissional que possa avaliar e auxiliar o processo de retirada da chupeta, não esquecendo que diferentes profissionais podem assumir posturas diferentes diante de uma mesma situação, e por isso ao decidir pela retirada ou não da chupeta deve prevalecer o bom senso.

Compartilho com vocês uma matéria interessante sobre o tema disponível em: 
http://www.ifono.com.br/ifono.php/o-uso-da-chupeta-e-sempre-prejudicial-a-crianca

domingo, 6 de junho de 2010

Fonoaudiologia pode ser tratamento de rinite e asma



Um estudo publicado em 2007 aponta a fonoterapia respiratória como uma importante aliada no tratamento de rinite e asma. 

Associada ao tratamento convencional medicamentoso, o trabalho fonoaudiológico consiste em educar o paciente a respirar de forma correta através de exercícios respiratórios e musculares destinados a “automatizar” as funções respiratória e permite melhorar os sintomas de forma significativa.

Segundo os dados divulgados, os resultados foram comprovados por exames realizados no Ambulatório de Pneumologia Pediátrica do Hospital das Clínicas, reconhecido pela Sociedade Brasileira de Pediatria como Centro de Referência em Pneumologia Pediátrica no Brasil.

Para ter acesso à matéria original acesse:

Artigo publicado em Divulgação científica em 27 de setembro de 2007 


sexta-feira, 28 de maio de 2010

Desenvolvimento da linguagem escrita e ambiente sociocultural

Em postagens anteriores procurei abordar a importancia da familia no desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita pela criança. Mas e aquelas crianças inseridas em comunidades onde o uso de tais modalidades linguisticas são limitados, restritos? Onde não se tem acesso a livros, jornais, revistas... onde os pais não foram alfabetizados? Seriam estas crianças inaptas para a aprendizagem da linguagem escrita? 


Não, entretanto algumas questões precisam ser analisadas para que o processo de aprendizagem obtenha sucesso.

Pois bem, se a criança não está familiarizada com os usos da leitura e da escrita é importante que a escola se empenhe em oferecer a ela esta familiarização. 

Uma outra questão importante seria utilizar recursos acessíveis à criança como por exemplo leitura de rótulos, panfletos, propagandas... produção de listas de compra, receitas, cartas, bilhetes... A forma como estes recursos serão explorados fica a critério do profissional que trabalha tais habilidades. 

Normalmente os panfletos e recortes de revistas e charges costumam chamar atenção por apresentarem textos curtos (que podem ser explorados de diversas maneiras), imagens, desenhos, paginas coloridas.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Terapia Fonoaudiológica para pacientes com Doença de Parkinson



O tremor, a rigidez e a lentidão de movimentos são características da Doença de Parkinson, uma doença neurológica, crônica e progressiva, que tem as dificuldades de fala como um dos seus principais sintomas.
Alguns estudos indicam que as alterações vocais estão presentes em mais de 75% dos casos, afetando a comunicação e consequentemente as relações sociais, profissionais e familiares dessas pessoas.
Frequentemente as pessoas com parkinson apresentam uma fala monótona, com pouca modulação vocal (entonação), movimentos articulatórios reduzidos, e baixa intensidade vocal, dificultando a compreensão da sua fala.

Para melhorar a comunicação:

  • Falar devagar e forte (alto), articulando bem as palavras, movimentando os lábios e a língua.
  • Treinar a falar forte (alto) e com boa articulação. Para isso pode-se repetir os dias da semana, meses do ano, contar números, fazer uma leitura em voz alta, declamar um poema, cantar...

Alimentação:


Além dos aspectos comunicativos, podem ocorrer também dificuldades relacionadas à mastigação e à deglutição, devido à diminuição da força muscular, dificuldade na realização de movimentos voluntários e redução da peristalse faríngea (movimento de contração responsável por levar o bolo alimentar através do tubo digestivo).
Estas alterações podem ter como consequência a aspiração de restos de alimentos, saliva e líquidos para o pulmão, gerando um quadro de pneumonia.

Devido a estas dificuldades é indispensável que o fonoaudiólogo esteja inserido na equipe de atenção ao paciente com Parkinson, buscando estratégias que possibilitem uma deglutição segura e melhorando o processo comunicativo, contribuindo assim para a melhoria na qualidade de vida do indivíduo.

Para saber mais sobre a Doença de Parkinson acesse: http://vivabemcomparkinson.com.br

*Este texto foi publicado originalmente em 06/05/2010 e reescrito em 25/01/2016.


quarta-feira, 28 de abril de 2010

Trabalho fonoaudiológico junto a pacientes em tratamento ortodôntico



É comum que as alterações de arcada dentária estejam associadas a alterações na musculatura da face como lábios e bochechas, e também da língua. Nestes casos é necessário a intervenção fonoaudiológica para trabalhar a função desta musculatura, pois se a função muscular continuar alterada poderá interferir na correção da arcada. 
Por exemplo, quando uma pessoa tem o costume de manter a lingua posicionada entre os dentes a lingua exerce uma pressão na arcada empurrando os dentes para a fente. Outro exemplo são aquelas pessoas que estão sempre de boca aberta, nesse caso os lábios deveriam exercer uma força contra os dentes para que eles permanecessem em sua posição, como a boca esta aberta esta força não existe ou é muito reduzida, fazendo com que os dentes se projetem para a frente. Estes são apenas dois exemplos, mas existem muitos outros. 
O momento de realização da terapia depende de varios fatores e o ideal é que seja discutido entre o ortodentista e o fonoaudiólogo. Muitas vezes existem outros profissionais envolvidos no tratamento, como por exemplo o otorrino, o alergista. É importante que haja comunicaçao entre os profissionais que atuam junto a casos ortodonticos para que o sucesso do tratamento seja alcançado.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Desenvolvimento da Linguagem



A criança adquire sua linguagem a partir do momento em que interage com aqueles que a rodeiam. À medida em que os pais utilizam instruções verbais durante a atividades diárias como "pegue a bola", "jogue pra mim", contam histórias, cantam para seus filhos, estão estiulando sua linguagem. A criança desenvolve sua linguagem a partir do modelo apresentado pelo adulto (ou até mesmo por outras crianças), por isso é importante que a família fale com a criança de maneira correta, sem infantilizar. Também é importante estimular a linguagem através de histórias, músicas, jogos, conversas, etc... 
É possível perceber como anda o desenvolvimento da linguagem mesmo antes da criança começar a falar. Por exemplo, se a criança ainda não fala, mas presta atenção ao que os outros dizem, mostra compreender o que dizem a ela (rindo, realizando determinada ação, chorando, etc...)
Em casos de dúvidas quanto ao desenvolvimento de linguagem o ideal é procurar um Fonoaudiólogo para uma avaliação.

domingo, 28 de março de 2010

Cuidados com a Voz


Pessoas que utilizam a voz profissionalmente como professores, cantores, atores, operadores de telemarketing, entre outros, precisam tomar alguns cuidados básicos com a sua voz, como:

- beba bastante água ao longo do dia pois a água hidrata as pregas vocais, mas não adianta beber dez litros de uma vez, tem que ir fracionando, bebendo varios copos ao longo do dia, pra manter as pregas vocais sempre hidratadas.
- evitar consumir alimentos como chocolate, leite e seus derivados quando for usar a voz no trabalho pois estes alimentos aumentam a secreção no trato vocal.
- alimentos muito condimentados (muito salgados, apimentados...) e frituras também devem ser evitados.
- café, cigarro e bebidas gasosas também são prejudiciais à sua voz pois eles irritam a laringe.
- a maçã é uma aliada importante para quem utiliza a voz constantemente pois ela auxilia na limpeza do trato vocal reduzindo a secreção, mas atenção, pessoas com refluxo gastroesofágico devem tomar cuidado pois existem maças que são muito ácidas e por isso podem piorar o quadro de refluxo.
- evite gritar e falar por tempo prolongado, quando isso for inevitável faça um repouso vocal evitando falar por um determinado período.
- alongue-se, espreguisse, relaxe, pois o stresse prejudica a voz.

E se você apresentar por mais de 15 dias cansaço e/ou esforço pra falar, necessidade de raspar a garganta constantemente, rouquidão persistente, voz sumindo ou falhando, perda da voz, procure um especialista!


Fonte: http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?545

          Fonoaudiologia em uma só voz (campanha da voz 2009)