quinta-feira, 16 de março de 2017

Como auxiliar a comunicação de pessoas com AFASIA


Pessoas que sofrem de AFASIA, distúrbio que afeta a comunicação após uma lesão no Sistema Nervoso Central, podem apresentar desde uma discreta dificuldade na expressão (capacidade de lembra-se e de dizer os nomes dos objetos e de repetir), compreensão, leitura e escrita, até a incapacidade da realização destas habilidades. 

Alguns pacientes podem recuperar espontaneamente, sem a necessidade de tratamento, dependendo da duração do evento que ocasionou a lesão. Entretanto, na maioria dos casos, a recuperação não é tão rápida e completa, sendo necessária uma intervenção fonoaudiológica com intuito de melhorar a capacidade comunicativa dos pacientes

A terapia é estruturada especificamente para cada caso, levando-se em consideração as habilidades linguísticas preservadas e comprometidas, buscando estabelecer conexões entre elas. Desta forma, favorecendo o reestabelecimento de habilidades perdidas, tanto quanto possível, e visando potencializar a comunicação por meio da compensação dos problemas de linguagem, e/ou por meio de métodos de comunicação alternativa.

A motivação e o apoio da família são fundamentais para o sucesso do tratamento, por isso é importante manter o diálogo com o paciente, incluindo-o nas conversas e valorizando cada tentativa de comunicação. Quanto mais ele tentar, maior será o “exercício”.

Posicionar-se sempre de frente da pessoa para que se mantenha o mesmo nível visual e apresentar uma ideia de cada vez, falando de forma simples e com frases curtas, irá facilitar a compreensão do conteúdo. Utilizar gestos, expressões faciais e corporais também podem ser pistas importantes para a compreensão.

Ter paciência, aguardando o tempo de resposta do paciente que poderá ser mais lento e utilizar perguntas simples para que responda por meio de gestos, sim e não, irá facilitar as respostas dos pacientes com dificuldades de expressão.

Para pessoas que não conseguem dizer o nome dos objetos ou o que deseja, pode-se apontar ou apresentar a ele algumas opções de objetos ou imagens, para que ele escolha, sempre dizendo o nome do objeto ou ação.

É importante evitar falar ou terminar frases por ele. Se não foi possível compreendê-lo estimule-o a tentar novamente. À medida que vai evoluindo o paciente fica mais consciente de seus erros e tenta adequar seu padrão de fala.

A evolução é um processo lento que envolve a ajuda individual, familiar e social. Desta forma, é importante que o processo de reabilitação seja iniciado o quanto antes, visando aproveitar o período de maior plasticidade neuronal.


Ana Carolina Oliveira - CRFª  - 6-9456

Ana Carolina é fonoaudióloga, graduada pela UFMG e especialista em Saúde do Idoso pela residência multiprofissional do Hospital das Clínicas/UFMG. 
Atua na avaliação e tratamento de distúrbios vocais, do equilíbrio (reabilitação vestiular), distúrbios de fala, da linguagem e da deglutição (disfagia). 



terça-feira, 2 de agosto de 2016

O impacto da respiração oral no desenvolvimento infantil


A respiração oral ocorre quando, por alguma obstrução das vias respiratórias e/ou algum problema funcional, a criança passa a respirar pela boca. Este quadro de alta prevalência na infância pode impactar negativamente a qualidade de vida das crianças.

Em grande parte dos casos a respiração oral está relacionada a quadros de rinite, sinusite, hipertrofia de amígdalas e adenoides, sendo o tratamento medicamentoso e cirúrgico eficaz para eliminar estes fatores obstrutivos. Entretanto, este quadro pode persistir devido a uma dificuldade funcional, que ocorre devido à habituação da criança ao padrão inadequado. Nestes casos a terapia fonoaudiológica é indispensável para o restabelecimento da respiração nasal.

Um estudo realizado na (UNIFESP), publicado em 2009, aponta que crianças que respiradoras orais, por causas obstrutivas, estão sujeitas à flutuação de audição.  Essa flutuação pode resultar nas desordens do Processamento Auditivo Central, que por sua vez, poderá comprometer a atenção e concentração, impactando negativamente o aproveitamento escolar.

Aspectos comportamentais como irritação, desatenção e sonolência durante o dia também são frequentes neste grupo.

Além disso, o padrão respiratório inadequado afeta o desenvolvimento dos músculos e ossos da face, como do nariz, maxila e mandíbula, desorganizando as funções exercidas pelos lábios, bochechas e língua e ocasionando problemas ortodônticos.

As alterações musculares ocasionadas pela respiração oral poderá afetar também a produção da fala em diferentes proporções, principalmente quando associada a questões auditivas.

Desta forma, os pais devem observar se seus filhos ficam resfriados frequentemente, permanecem muito tempo com os lábios entreabertos, se durante o sono apresentam ronco e baba, obstrução nasal frequente, sono agitado, dormem com a boca aberta, ficam cansados durante o dia. Caso observem alguma dessas características é importante que busquem uma avaliação profissional o quanto antes. 

Dirlene Moreira é fonoaudióloga, especialista em linguagem. Atua principalmente no atendimento a crianças com deficiência intelectual e atraso no desenvolvimento da linguagem. | Contato: 31-8229-0290


terça-feira, 5 de julho de 2016

Autismo: Compreender para Intervir

O Transtorno do Espectro do Autismo, é um distúrbio complexo, caracterizado por prejuízos nas áreas da comunicação, comportamento e interação social.

Ao buscar compreender o que leva a pessoa com autismo a apresentar determinados comportamentos temos a oportunidade de contribuir para novas possibilidades de intervenção e aprendizagem, frequentemente mais eficazes.

A preocupação constante em extinguir e/ou modelar comportamentos inadequados, muitas vezes ignorando as diferenças de percepção e as características cognitivas da pessoa com autismo, pode reduzir as chances de interações eficazes e aprendizados importantes.  

Desta forma, é importante tentar entender como a pessoa pensa, sente e percebe o mundo ao seu redor.

O longa metragem Temple Grandin, baseado na história real da autora do livro “O cérebro Autista”, nos auxilia nessa compreensão, assim como o seu livro.

Ao longo do filme e durante o livro podemos entender as dificuldades em processar adequadamente as informações sensoriais, a resistência a mudanças, os interesses particulares, a importância de informações visuais para a organização e aprendizagem, a dificuldade de interpretar frases de duplo sentido e decifrar emoções.

Para entender um pouco melhor como é o funcionamento cerebral da pessoa com autismo compartilho com vocês o vídeo do Dr. Caio Abujadi, Psiquiatra Infantil especialista em autismo. 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Bandagem terapêutica: benefícios para a terapia fonoaudiológica



A Kinesio Taping é um recurso terapêutico inovador que vem sendo utilizado por diversos profissionais da saúde na reabilitação de disfunções motoras. 

Também conhecido como bandagem terapêutica, este recurso consiste no uso de uma fita elástica especial que irá estimular as camadas mais profundas da pele e enviar informações sensoriais contínuas ao cérebro. Desta forma, os estímulos recebidos durante a sessão serão mantidos por mais tempo, favorecendo a percepção da posição e do movimento muscular, contribuindo para uma maior eficácia execução dos movimentos e adequação postural.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Saiba como prevenir alterações auditivas na Infância



A dificuldade de ouvir adequadamente nos primeiros anos de vida muitas vezes é responsável pelo atraso no desenvolvimento da linguagem e da fala, além de comprometer a aprendizagem e o rendimento escolar.